sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Aquarela -Toquinho


No meio de tanta correria, do dia-a-dia barulhento, das fumaças e das buzinas dos carros, do sol escaldante castigando ao meio-dia, dos noticiários policiais, da banalidade da violência,da raridade da inocência, dos excluídos de cabeça baixa pelas calçadas, da troca da infância pelo tráfico, da teia de corrupção capturando mais vítimas, do capitalismo e da globalização consumindo tudo em frenesi...Eu lembrei dessa música.E lembrei também do quão extraordinário é, em meio a tudo isso, transportar-se para esse mundo fantástico...


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo

Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva

E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel

Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando contornando

A imensa curva norte sul

Vou com ela viajandoHavaí, Pequim ou Istambul

Pinto um barco a vela branco navegando

é tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo

Um lindo avião rosa e grená

Tudo em volta colorindo

Com suas luzes a piscar

Basta imaginar e ele está partindo

Sereno indo

E se a gente quiser

Ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida

Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida

De uma América à outra consigo passar num segundo

Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha e caminhando chega no muro

E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave

Que tentamos pilotar

Não tem tempo nem piedade

Nem tem hora de chegar

Sem pedir licença muda nossa vida

E depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe

Conhecer ou ver o que virá

O fim dela ninguém sabe

Bem ao certo onde vai dar

Vamos todos numa linda passarela

De uma aquarela que um dia enfim

Descolorirá

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

Que descolorirá

E se faco chover com dois riscos tenho um guarda-chuva

Que descolorirá

Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Que descolorirá

1 comentários:

Camiℓa Oℓiveira disse...

Criar o nosso mundo em palavras e imaginação, não sermos alienadas, mas explorar os desejos, permitirmos a ter momentos de evasão, de criação, nada paga isso.