quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Os 5 melhores mocinhos dos romances clássicos

Eu já vi por aí muitas listas com o TOP 5 dos melhores mocinhos, mas quase todas são apenas dos livros contemporâneos. Apesar de os romances de hoje terem liberdade de colocar personagens com mais "pegada", não quer dizer que há mais de duzentos anos não se escreviam personagens com atitude para sua época e que mexem com a imaginação de pessoas (As mulheres em especial né, mas não excluamos alguns homens disso) de tantas épocas diferentes. Vamos conferir?

5. Rhett Butler, de E O Vento Levou...

OK, nunca li o livro, mas já vi o filme váarias vezes e acredito que pelo menos a essência do personagem é mantida, apesar de alguma coisa aqui e acolá ter sido mudada. Eternizado por Clark Gable, Rhett Butler vem do Norte e se apaixona pela mimada, inescrupulosa e determinada Scarlett O´Hara e é o único que entende sua natureza e a ama do jeito que ela é ( Só por amá-la ele já merece um prêmio. Scarlett é marcante, mas é uma das mocinhas mais chatas e insuportáveis que eu já vi), mesmo a garota sulista amando outro. Irônico, confiante, experiente e cheio de tiradas, ele pode colocar muitos galãs de livro adolescente no bolso. Margareth Mitchell lançou o livro em 1936 e o filme foi lançado em 1939.
Melhores Momentos: A famosa frase " Frankly, my dear, I don´t care"

4. Heathcliff, de O Morro dos Ventos Uivantes

Bem, Heathcliff não era beem o mocinho, mas como é através dele que as ações acontecem no livro, ele entra, sim, na lista. Tirado por Mr. Earnshaw das ruas, ele é criado juntos com seus filhos, apaixonando-se por Catherine, a filha mais nova do homem. Os dois crescem como grandes amigos, mas com o rebaixamento de Heathcliff a mero servo após a morte de Earnshaw e o encontro de Catherine com o refinamento de Edgar Linton acaba separando os dois. Heathcliff vai embora e volta, muito tempo depois, rico não se sabe como. E Catherine se casa com Linton. Não vou adiantar muito, mas o amor egoísta, obsessivo e intenso que Heathcliff sente é um dos marcos da literatura e o transforma no "vilão" da história. Dei a ele o quarto lugar porque ele é capaz de tudo por uma criatura mimada, egoísta e fútil( É isso aí, ela é pior que a Scarlett!), sem perceber o quanto a sua vida vai se destruindo aos poucos e junto com esta, a vida dos outros também. De qualquer maneira, Heathcliff é inesquecível, não tem como não se emocionar com tamanha paixão e além de tudo, foi lindamente interpretado pelo Ralph Fiennes na versão de 1992 do filme. Emily Brontë lançou o livro em 1847.
Melhores Momentos: " How can I live without my life? How can I live without my soul?"

3. Mr. Thornton, de Norte e Sul

Industrial do norte da Inglaterra, John Thornton nasceu pobre, venceu as dificuldades da vida e se tornou o dono de uma das maiores fábricas de algodão da fictícia cidade de Milton. Homem de negócios, inteligente, teimoso e orgulhoso, ele se apaixona pela igualmente orgulhosa Margaret Hale, que, vindos dos lindos campos do Sul, odeia qualquer coisa relacionada ao fumacento Norte, inclusive ele. O que gosto nele é que mesmo apaixonado por Margaret, ele não é alheio aos seus defeitos e nem destrói sua vida por causa dela, ao contrário, continua administrando tudo com mão de ferro e ainda encontra tempo para ser gentil com os pais dela. Seu senso prático, implacável e ainda assim, terno com a mãe e apaixonado por alguém que inicialmente o odeia, faz com que seja o melhor personagem do livro. Richard Armitage o interpreta na linda minissérie da BBC. Elizabeth Gaskell lançou o livro em 1855.
Melhores Momentos: Não é uma frase, mas um momento quando Margaret sai ferida no meio da greve dos trabalhadores e Thornton a carrega para dentro de casa, percebendo o quanto a ama de verdade (Fooofo!)

2. Mr. Rochester, de Jane Eyre

Dono de Thornfield Hall e patrão de Jane, que serve de preceptora para sua filha bastarda Adèle, Mr. Rochester é um mistério. Autoritário, um pouco ranziza, mas incrivelmente apaixonado por Jane, ele não liga tanto para as convenções sociais e é bem mais ardente na sua paixão do que os outros já citados ( Exceto Rhett Butler). Seu passado e o segredo que esconde o atormenta, pois sabe que isso é um impedimento para ficar com a protagonista, mas não perde tempo em conquistá-la, tamanha é a paixão que sente por ela. Na linda minissérie da BBC, ele é interpretado por Toby Stephens e no filme mais recente, por Michael Fassbender. Charlotte Brontë lançou o livro em 1847.
Melhores Momentos: A declaração dele para Jane, no jardim, sob a luz do luar.

1.Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito

O ouro vai pra ele, o melhor mocinho de todos os tempos! E não há nenhum personagem que possa ousar se comparar ao Mr. Darcy. Arrogante a princípio, julgando Elizabeth Bennet apenas como "tolerável" no quesito beleza, Darcy aos poucos vai se apaixonando por ela, enquanto a jovem Bennet apenas o odeia e ouve todo tipo de intriga ao seu respeito. A personalidade de Mr. Darcy, intolerável no início, vai se mostrando belíssima, resignada, corajosa e apaixonada. Alguém que não mede esforços para conquistar quem ama ou para ajudá-la de todas as formas. Interpretado lindamente por Colin Firth na minissérie da BBC em 1997 e no filme mais recente, por Matthew McFadyen. Lançado pela diva Jane Austen em 1797.
Melhores Momentos: O pedido de casamento que ele faz à Elizabeth.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sussurro - Becca Fitzpatrick


SUSSURRO

Autora:
Becca Fitzpatrick
Editora:
Intrínseca
N° de páginas:
264


Esse foi um livro que li após uma depressão-pós-livro. Não adiantou nada,né? Fiquei apaixonada por esse e tive que buscar outro para esquecê-lo( Só que o outro foi logo o Cidade das Cinzas!Mas isso são cenas dos próximos posts).

Nora Grey é uma adolescente normal que nunca se apaixonou na vida, mesmo com sua amiga divertidíssima Vee para mostrá-la caras legais. Só que isso muda ao ter que trocar de parceiro na aula de biologia e conhecer Patch, misterioso,lindo, que parece saber seus segredos mais íntimos. Nora sabe que ele é perigoso... Mas não sabe se acaba se apaixonando de vez ou corre dele.
Além disso, um estranho mascarado passa a persegui-la constantemente e sumindo como se fosse por mágica. E ela só percebe que sua vida está em perigo quando Vee é confundida com ela e é atacada. Seria Patch por trás de tudo isso? Ou algo muito maior que ela poderia imaginar?

Demorei demais pra ler esse livro, mas não sabia que a trama sobre anjos poderia ser tão legal. Patch é um anjo caído, mais parecendo um lindo bad boy, com um sorriso despreocupado e aquelas frases cortantes quando ele conversa com Nora:

Eu captei seu olhar e não pude evitar igualar seu sorriso – brevemente.
“Com sorte não em seu favor. Maior sonho?”
Eu estava orgulhosa dessa porque sabia que iria aturdi-lo. Ela requeria premeditação.

“Beijar você.”

“Isso não é engraçado,” eu disse, segurando seus olhos, grata por não ter gaguejado.
“Não, mas fez você corar.”

Se o Patch existisse na vida real seria tachado de cafajeste só com as insinuações que ele faz ao longo do livro, mas como personagem literário ele está perfeito! Você se pergunta o livro inteiro se ele realmente está afim da Nora como diz estar ou se pode estar por trás dos acontecimentos estranhos, já que ele é um anjo caído e tal. Mas é um daqueles mocinhos com diálogos tão legais que faz você querer voltar e ler de novo o que ele diz.

A Vee é a amiga ideal. Engraçada e que dá um super apoio à Nora, embora sua ingenuidade dê nos nervos.

A Nora é uma personagem que não é boba e nem fica sonhando com o príncipe encantado (Alô, Bella Swan?), mas é muito impetuosa e não pensa antes de se meter em encrenca. Ela se sacrifica muito por amizade, como naquela cena em que Vee está encrencada e Nora vai atrás dela, sozinha, numa rua perigosa e troca seu casaco por informações de uma mendiga. É muita loucura! E é completamente apagada quando o Patch aparece, porque não consegue vencê-lo no raciocínio dos seus diálogos e fica corada no final.

O primeiro livro da série Hush Hush é muito bom, do tipo que faz você querer reler. Os personagens são interessantes e a mitologia dos anjos é muito bacana, embora ela seja apresentada de forma jogada e mal explicada ao longo do livro. Ao contrário de Julie Kagawa em O Rei do Ferro, Becca Fitzpatrick não prepara o terreno para o leitor e faz toda a ação e informação acontecerem ao redor do casal principal. Não sei se na continuação Crescendo, a história dos nephilins é melhor explicada, mas espero saber mais e, claro, mais cenas românticas da Nora e do Patch.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Resenha - O Rei do Ferro




O REI DO FERRO
Autora: Julie Kagawa
Editora: Underworld
N° de páginas: 352

Meghan Chase é uma adolescente que não mora na cidade e tem uma mãe e um padrasto avessos a tecnologia, inclusive de coisas tão básicas na existência de um adolescente "normal" quanto um celular e uma internet decente. Com o pai misteriosamente desaparecido, Meghan sente como se as pessoas esquecessem da sua existência e a ignorassem, como acontece no colégio e até mesmo em casa, em relação ao seu padrasto. Os únicos que a fazem feliz são Ethan, seu fofíssimo irmão caçula de quatro anos e Robbie, seu melhor amigo.
Ao completar 16 anos, Meghan tem estranhas visões e Ethan passa a se comportar de forma diferente, com uma crueldade e ferocidade que não eram dele. É então que seu amigo Robbie revela que o seu irmão foi sequestrado por fadas e uma cópia foi colocada em seu lugar. E para maior surpresa dela, Robbie revela que é Puck, bobo da corte do rei Oberon, no mundo das fadas, em Nevernever e que esteve ao lado dela esse tempo para protegê-la.
E aí que a garota mergulha num mundo feroz, fascinante e perigoso para resgatar seu irmão. É lá que descobre que o rei Oberon é seu pai, o que a coloca em um jogo de interesses, especialmente com a Corte do Inverno e o seu príncipe, de quem Meghan não sabe se deve fugir ou se apaixonar.

Ufa! Sinopse meio comprida, mas é mais ou menos isso aí. O livro chega aos poucos no mundo das fadas, preparando o terreno, mostrando a vida e o sofrimento de Meghan no colégio e sua relação com Robbie ( Que poderia ter sido melhor mostrada, com mais memórias de amizade). O changeling que ocupa o lugar de Ethan é assustador e essas primeiras partes são bem sombrias. Não que Nevernever não seja. A mitologia das fadas é bem colocada, mostrando o lado traiçoeiro da maioria delas e dos outros seres desse mundo, que traz mais perigo do qualquer outra coisa. Confesso que a jornada de Meghan e Puck ao rei Oberon me deixou impaciente: muitas desventuras, muita ingenuidade da moça e até aquele momento a falta de algo marcante nos personagens.

Puck, que é o mesmo personagem de Shakespeare em Sonho de uma Noite de Verão( Que inspirou muita a gente a escrever sobre o reino das fadas), é esperto, brincalhão e desafiador, algo que só foi se tornando mais marcante (Para mim, pelo menos) do meio do livro em diante. Acho que faltou mostrar a audácia dele como Robbie, no colégio.

O personagem mais interessante mesmo é o gato( sim, um gato falante, como o Cheshire de Alice) Grimalkim, misterioso, esperto, sarcástico, do mesmo jeito que se imagina que um gato seja se ele pudesse falar. Nunca se sabe se ele está lá pelo acordo com Meghan ou por amizade mesmo (No final, talvez, fique mais evidente).

Mas o destaque mesmo vai para Ash, que está ali para ser o alvo da paixão de Meghan, mesmo sendo o príncipe do Inverno e esteja ali para usá-la como trunfo na sua Corte. Misterioso, excelente lutador e poderoso, ele acredita em levar a moça para a Corte do Inverno, que é rival da Corte do rei Oberon. Claro que com o acordo que faz com Meghan tende a mudá-lo um pouco... mas sem spoilers!

A personagem principal é cabeça dura, age sem pensar, faz acordos com Deus e o mundo (algo perigoso no nosso mundo, imagine no mundo das fadas), é teimosa, desafia alguns seres poderosos (vide a ciumenta rainha Titania) e se apaixona por Ash assim, do nada. Mas é algo cada vez mais comum as autoras de livros YA( Young Adults) ou até mesmo infanto-juvenis, colocarem a mocinha para ser um pouco irritante ( vide a coleção Hush Hush e os Instrumentos Mortais).

Afora isso, o livro é cativante, bastante rico em conteúdo, mostra que a autora planeja bem os passos dos personagens e apesar de bem descritivo, deixa uma sensação de como se realmente estivéssemos lá. A passagem no reino do ferro deixa uma sensação angustiante e torturante e o breve vislumbre da Corte do Inverno deixa qualquer um encantado, quase sentindo o gelo.

O final dá aquela abertura pro segundo, mas nada que já não fosse esperado, ainda assim, dá pra aguçar a curiosidade.

Esse era um livro que figurava na minha lista desde o ano passado, mas só agora eu li. Deixei ficar próximo também da continuação, A Filha do Ferro.É um livro bom que só tende a melhorar nos próximos, uma vez que todos estamos familiarizados com o mundo selvagem e os personagens cínicos e interesseiros de Nevernever.

P.S: O rei Oberon e a rainha Titania também estão no livro do Shakespeare.

P.S ²: Muitas passagens não foram explicadas. A presença de Ash no mundo humano no começo do livro, por exemplo.

P.S ³: Nojo infinito de muitos seres que são personagens adoráveis em livros infantis e aparecem completamente repugnantes nessa história mais realista com o folclore.